Quando o mundo adoece, como cuidar de sí?
Em tempos de crise, guerras e instabilidade global, é impossível não ser afetado, mesmo sem estar diretamente nos campos de batalha ou nas linhas de frente dos desastres, carregamos no corpo os ecos do sofrimento coletivo.
As imagens, as notícias constantes, os alertas, as redes sociais tudo chega rápido, sem filtro, e se impõe na nossa experiência cotidiana. E no meio disso tudo ainda temos que lidar com as maldosas fake news.
Algumas estratégias podem nos ajudar nesse desafio que o excesso de informação nos impõe. Limitar a quantidade de informação, sem cair no engano de “não quero saber de nada”. Lembre que o problema não é a informação, mas o uso que fazemos dela.
Checar as fontes de informação antes de repassá-la, cuidar para não espalhar notícia falsa é dever de todos. Diversificar as perspectivas sobre o mesmo tema, refletir sobre diferentes opiniões. Analisar o contexto da notícia e o lugar de fala de quem expressa aquela opinião, quem ganha e quem perde com essa visão sobre o tema, quais as relações de poder que envolvem essa informação?
O excesso de informação muitas vezes sem pausa, sem contexto e sem tempo para elaborar têm alimentado uma sensação de medo e insegurança. O corpo responde: acelera, tenciona, perde o foco e as vezes o sono. O resultado é o aumento de ansiedade, estresse, angústia e sensação de impotência.
Mas, é importante nos conscientizarmos de que essa angústia que sentimos não é só nossa, ela também coletiva. Ela nasce da intersecção entre o mundo lá fora e o mundo aqui dentro. E, justamente por ser coletiva, não deve ser banalizada nem naturalizada.
No processo terapêutico olhamos para isso com cuidado, cada pessoa que chega, traz no seu relato não apenas suas dores pessoais, mas também os impactos desse mundo em crise. A angústia coletiva é construída a partir de muitas angústias individuais e cada uma delas merece ser reconhecida, escutada e cuidada.
Cuidar de si, portanto, não é um gesto egoísta e sim necessário.
É um ato de resistência em meio ao caos, colocar limites na quantidade de informações, permitir pausas, criar espaços internos para reflexões onde o medo possa ser elaborado, e não apenas acumulado.
Algumas perguntas são imprescindíveis:
- Como viver diante do que não controlo?
- Como equilibrar minhas ações para me manter informada, mas sem ser tomada por tanta informação?
- Como posso cuidar de mim, mesmo quando tudo parece desabar lá fora?
- O que posso fazer para amenizar o sofrimento do outro diante do que não tenho como mudar?
Porque, se é verdade que estamos todos atravessados por um sofrimento coletivo, também é verdade que cada passo no cuidado individual contribui para tecer redes de apoio e afeto.
A terapia pode te ajudar a lidar com essas questões.
