
Uma outra história sobre concepção
Quando nos ensinam sobre o processo de concepção, a história que nos contam é a do espermatozoide mais forte e potente, fecundando o óvulo que estava lá submisso à espera do grande herói salvador.
O Construcionismo Social nos ajuda a refletir sobre como a nossa maneira de entender o mundo é influenciada por verdades construídas socialmente e, por isso mesmo, se tornam naturalizadas e inquestionáveis.
O convite construcionista à reflexão nesse caso seria pensar em outra versão dessa história. Talvez algo como o óvulo ter a prerrogativa de escolher o espermatozoide que deseja que o fecunde e, com seu poder de atração, persuadi-lo a fazer isso.
Nessa versão o óvulo tem poder de escolha. Na primeira versão, o poder está com o espermatozoide mais potente. Essas versões são atravessadas por questões sociais de gênero.
Não se trata de saber qual versão está correta, mas de refletir como construímos essa versão de mundo, que verdades estão sendo criadas, qual o nosso posicionamento diante delas, como essas verdades influenciam nossas relações, quem participou dessa construção, que discursos sociais atravessam nossa visão de realidade.
Essa responsabilidade aumenta para nós terapeutas porque nossas teorias e técnicas também criam verdades sobre nossos clientes. Já pensou nisso?